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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Porquê?

Meu deus quantas vezes pego no telefone marco o teu número e acabo por desistir e não te ligo.

Já sei que do outro lado a tua voz vai soar indiferente, vais responder com meias palavras.

Sim, não e de vez em quando um talvez vão ser as palavras que vais utilizar. Isso não é conversar. Ainda por cima poucas e ditas com indiferença a raiar a frieza.

E pensar que já falámos de tudo tu e eu.

Como é possível que tudo tenha mudado tanto?

Lembraste quando fizeste 200Km para me contar como tinha sido a tua 1º vez?

As dúvidas que tinhas, o que sentiste, como te sentias, tudo isso me contaste como se estivesses a falar com a tua melhor amiga.

Porque é que agora nem conseguimos trocar 2 frases seguidas?

Porque é que nunca tomas a iniciativa de me procurares?

O que é que te afastou de mim dessa forma tão radical?

Fui eu que te afastei?

Não quero e sei que nunca serei a tua melhor amiga. Quero apenas ser a tua mãe. Mas tu não me deixas. Construiste uma muralha entre nós e não sou capaz de a ultrapassar.

Porquê?

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…e ficamos calados.

É o que está a acontecer comigo.

Pensei que aqui seria mais fácil mas afinal não é.

Perdi a pratica…e custa-me reaprender a falar contigo.

Não é por não ter nada para dizer, antes pelo contrário. São demasiadas coisas que têm estado entaladas na minha garganta por demasiado tempo.

Torna-se  difícil soltá-las.

Quando te vi pela última vez achei-te mais acessível. Mas deve ter sido apenas impressão.

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Mágoa

Tenho andado com pouca vontade de falar.

Tive necessidade de ficar quieta no meu canto para não deixar que tu mais uma vez me magoasses de forma cruel.

Fechei-me na minha concha e esperei que a tormenta passasse.

Tu pensas que tens direito a magoar-me.

Eu penso que não.

Apesar de todas as mágoas , de todas as coisas ruins pelas quais passámos não tens o direito de me magoar.

E magoas-me com a tua frieza…todos os dias.

Disfarço, faço de conta que não me atinges, mas não é verdade.

Cada vez me magoas mais e cada vez finjo melhor que não o fazes.

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Afastamento

Não sei quando começámos a afastar-nos. Mas fizemo-lo.

Quando eu e o teu pai nos separámos tu começaste a afastar-te…dos dois.

Ao princípio pensei que seria apenas uma reacção temporária. Percebia que te sentisses muito magoada mas acreditei que um dia tudo iria voltar a ser quse como antes. Mas não foi.

Nunca mais foi. Tivemos pequenos períodos de tréguas. Mas o diálogo e sobretudo a ligação entre as duas foi-se perdendo.

A culpa foi em grande parte minha. Fiz tanta coisa errada. Fui egoísta. Deixei-me afundar.

E tu culpaste-me por tudo. Pela sepração, pelo teu sofrimento, pelo sofrimento da tua irmã e até pelo facto do teu pai se ter dividido  durante anos  por duas vidas.

Eu sei que devia ter feito algo mais cedo. Afinal eu sempre soube e fiquei ali quieta achando que aquilo era temporário…e que passaria.

Não foi assim. E eu segui pelo caminho mais difícil. Sem perceber que não era por ali que as coisas se resolviam. Durante anos sofri da pior forma…com um sorriso. Mas o pior foi que vos fiz sofrer a vocês também e se a tua irmã teve capacidade para entender e perdoar…tu não.

A vida também não tem sido fácil para ti pois não?

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A tua chegada

Senti-te logo. Não foi preciso esperar que um teste me dissesse que tu estavas dentro de mim. Soube logo assim que foste criada.
Diziam que eu estava tonta. Que era impossível saber logo. Mas eu soube. Na hora exacta. Confirmei isso na manhã seguinte. Não me perguntes como…só sei que sabia.
A confirmação só foi necessária para os outros.
O pior foi a espera. O tempo não passava. Tu crescias e crescias mas, parecia que nunca mais chegava o dia de olhar para a tua cara.
Todos me diziam que eras um rapaz. Mais uma vez eu sabia que não. Tinha a certeza que não. Naquela altura não era fácil. Não existiam ecografias. Foi o coração que me disse que eras uma menina e que serias linda.
Quando finalmente chegou o dia…fizeste-te esperar. Não foi fácil tirar-te de lá. Foi preciso muito.Dois dias e duas longas noites. Correste riscos desnecessários. Podias ter ficando irremediavelmente marcada para toda a vida mas não…mostraste logo aí a tua determinação.
Linda e perfeita. Excepto os pés. Esses segundo a tua avó paterna era mal feitos como os do teu pai. Nunca achei. Meu Deus como eras linda!! Pele rosada, penugem loira, sim porque cabelo não tinhas muito, e um narizito de boneca. Agradeço todos os dias a Deus por te ter deixado nascer sem qualquer sequela apesar das horas difíceis que ambas passámos. Esse sofrimento esqueci-o de imediato assim que olhei para ti. Numa madrugada de chuva intensa tu foste o grande milagre da minha vida.

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Vamos conversar?

Este espaço vai servir para conversar contigo.

Sim eu sei que deixámos de o fazer há muito tempo…pelo menos no sentido em que eu entendo a palavra conversar.

Continuamos a ser politicamente correctas e falamos de coisas superficiais…como quem fala do tempo ou do que se vai usar na próxima estação.

Mas de nós, do que realmente é importante, deixámos de o fazer há tanto tempo que já lhe perdi a conta.

É por aqui que vou recomeçar. Para já uma conversa…que até pode parecer um monólogo…mas que eu necessito como do ar que respiro.

Preciso de conversar contigo minha filha… por isso imagina que isto são cartas que te escrevo e às quais não exijo resposta.

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